Que venham seus olhos, suas mentes, suas vozes e através de suas interpretações modifiquem minhas intenções iniciais.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Tudo acaba em fumaça

O transito de São Paulo, cercado, preenchido, por vilões, tais como a imprudência, a competição, o descaso, a luta desigual do homem comum com o relógio... O atrito constante daquele que está sem pressa e desliza feliz por ruas e avenidas com aquele que deveria estar quilômetros á frente, mas por uma série de ocorrências, encontra-se a quilômetros de seu destino. Pesquisas indicam que essa diferença de realidade entre as pessoas que convivem no transito das grandes cidades é um dos principais fatores para a ocorrência de brigas, ou seja, o sujeito que não está com pressa, não está nem aí para o apressado que vem atrás, liga o som relaxa e se esquece que amanhã a situação pode se inverter. Claro que não se justifica perder o controle com atrasos, o atraso já está incorporado no nosso cotidiano, contra nossa pontualidade competem os acidentes, as greves, as manifestações, as enchentes, o excesso de veículos, os motoristas lentos, entre outros fatores.
Temos os atenciosos pais que param em fila dupla em frente à escola dos filhos e ficam esperando a prole chegar até o portão de entrada com segurança. Não existiria outra maneira de agir? Como de sair mais cedo de casa, encontrar um lugar para estacionar o carro e acompanhar a criança até o portão?
Existe aquele cidadão que circula a 70 km/h estando na faixa da esquerda da Via Dutra, rodovia que permite a velocidade de 110 km/h, você fica atrás dele esperando ele abrir passagem, então ele te obriga a ultrapassa-lo pela direita – o que é errado – e quando você tenta a ultrapassagem ele acelera e não te deixa passar. Lidamos com sádicos no transito.
E o amigo que não dá seta para mudar de faixa, ou aquele que quando vê sua seta acelera, te fecha.
A falta de educação, somada a esperteza, também contribui com a desarmonioza convivência do transito urbano, por exemplo: Os corredores exclusivos de ônibus são usados pelos taxistas que passam desenvolvendo velocidade enquanto os carros comuns (que obedecem o corredor) ficam praticamente parados, mas quando os ônibus param nos pontos os taxistas ligam a seta e ficam embicando seus carros atrapalhando aqueles que quase não andam nas demais faixas, ou seja, os taxistas são seres superiores que não podem esperar alguns segundos como os outros cidadãos.
Os motoqueiros, (existem motoqueiros e motociclistas) já se sabe que em média dois motoqueiros morrem por dia em São Paulo, eu já vi três acidentes envolvendo motoqueiros em avenidas diferentes durante um único percurso. Será que é porque um veículo tão pequeno em relação aos demais, circula em cima de uma faixa que serve como limite entre um automóvel e outro? Quem dirige sabe que existe um ponto cego que impossibilita a visualização completa das laterais, o motociclista conta com a sorte e com uma frota de milhões de veículos haja sorte! Já que não é possível a implantação de faixas exclusivas para motocicletas em todas as avenidas então eles deveriam circular entre as faixas como todo veículo. A prefeitura implementou o rodízio de caminhões, acabou com o excesso de poluição visual, deveria comprar esta briga também, com o tempo o essa imposição se tornaria hábito e quem não cumprisse seria multado.
Eu sou motorista, paulista, dirigia após beber ( 900 paus não é mole), quando tenho pressa apavoro os domingueiros, quando levo multa sinto vontade de destruir os radares (principalmente os de Mogi das cruzes que parecem armadilhas para aumentar o orçamento da prefeitura), se estou atrasado não tem velhinha com cara de pidona esperando minha boa vontade de dar passagem enquanto ela sai da garagem – já me arrependi de deixar e vê-la dirigindo a 10 p/ hora - , odeio homens ou mulheres sem habilidade que passam pelo meu caminho, odeio flanelinhas que não estão quando chego e aparecem quando quero ir, odeio pessoas que buzinam sem parar quando o transito para, odeio as pessoas que ficam dirigindo lentamente com o propósito de espiar o acidente do outro lado da avenida.Não tem Santo ou anjo nas ruas, a guerra do transito tem vítimas e vilões que se revezam em cada situação, hoje certo, amanhã errado, ontem causador, amanhã prejudicado, ira, perda de tempo, raiva, poluição, guerra por petróleo, biocombustível, aquecimento global, bandeira dois, IPVA, pedágio, seguro, rastreador... tô atrasado.